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Líbano registra morto e jornalista ferido em ataque israelense com drone

Hezbollah respondeu com ofensiva contra comboio israelense na mesma vila, enquanto negociações de paz entre EUA e Irã avançam para assinatura em Genebra

Líbano registra morto e jornalista ferido em ataque israelense com drone
Foto: Nemika F / Pexels

Um drone israelense destruiu um automóvel na vila de Kfar Tebnit, no Sul do Líbano, matando o condutor do veículo na segunda-feira (15). No mesmo local, o jornalista libanês Hadi Abdel Moneim Hoteit foi atingido por estilhaços e encaminhado ao Hospital Najdeh Shaabia, em Nabatieh, onde foi submetido a cirurgia na perna. As informações foram divulgadas pela Agência Nacional de Notícias (NNA) do Líbano.

Os episódios ocorreram menos de 24 horas após os governos de Estados Unidos e Irã anunciarem, no domingo (14), um acordo que prevê, entre outros pontos, o cessar-fogo no Líbano — uma das exigências de Teerã nas negociações. A assinatura de um memorando de entendimento entre representantes dos dois países está prevista para a sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça. As autoridades israelenses não se manifestaram sobre os ataques da segunda-feira (15).

Hezbollah reage com ofensiva em Kfar Tebnit

O grupo político-militar Hezbollah anunciou ter realizado um ataque contra um comboio do Exército israelense na entrada de Kfar Tebnit, por volta das 18h no horário local do mesmo dia. O grupo relatou que a ação teria forçado a retirada das forças israelenses da área. Segundo o Hezbollah, o comboio era formado por um trator e dois tanques do modelo Merkava, que avançavam da região de Arnoun em direção a um ponto de travessia próximo à vila.

Retorno de moradores permanece suspenso no Sul do Líbano

Apesar do acordo anunciado entre EUA e Irã, o Exército Libanês recomendou que os moradores do Sul do país não regressem às suas residências, em razão do risco de novas violações ao cessar-fogo. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu declarou, nesta segunda-feira (15), desconhecer os detalhes do acordo entre Irã e EUA relativos ao programa nuclear iraniano — apontado por Israel e pelos Estados Unidos como principal motivação para ações militares contra o Irã. Netanyahu sinalizou ainda a manutenção da presença israelense em uma zona tampão de segurança no território libanês. O Hezbollah, por sua vez, saudou o memorando de entendimento firmado entre EUA e Irã. Ainda nesta segunda-feira (15), a NNA reportou a presença de um drone israelense em voo rasante sobre Beirute, capital do Líbano.

Balanço e histórico do conflito

A fase atual do conflito no Líbano teve início em 2 de março do ano corrente. Desde então, o Ministério da Saúde do Líbano contabiliza 3,7 mil mortos e 11,7 mil feridos no país. O Hezbollah passou a atacar o Norte de Israel em solidariedade aos palestinos após a destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023. Depois de mais de um ano de troca de ofensivas, um cessar-fogo foi firmado entre o grupo e o governo israelense em novembro de 2024, na sequência da morte de importantes lideranças do Hezbollah. Israel manteve, no entanto, ataques periódicos ao Líbano. Com o início do conflito envolvendo o Irã, o Hezbollah retomou as operações contra Israel, alegando legítima defesa e resposta a violações do acordo anterior.

O histórico de tensões entre Israel e Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi formada em reação à ocupação israelense no Líbano. Em 2000, o grupo conseguiu expulsar as forças israelenses do território. Ao longo dos anos, o Hezbollah ampliou sua atuação para a arena política, com representação no Parlamento libanês e participação em governos. O Líbano sofreu novos ataques israelenses em 2006, 2009 e 2011.

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