Procura por tratamento antirrábico cresce um terço em hospital de Maringá
Cães estiveram envolvidos em 102 dos 135 atendimentos registrados entre janeiro e maio de 2026; morcegos também tiveram alta
O Hospital Universitário da Universidade Estadual de Maringá (HUM-UEM) contabilizou 135 atendimentos antirrábicos entre janeiro e maio de 2026 — 32% a mais do que nos cinco primeiros meses de 2025, quando o serviço registrou 92 casos. O atendimento antirrábico é indicado após contato com mamífero doméstico ou silvestre, para avaliação do risco de exposição ao vírus da raiva. Os números foram levantados pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NVEH) da unidade.
Cães concentraram a maior parte das exposições em 2026: das 135 ocorrências, 102 envolveram a espécie. Gatos apareceram em 15 casos; morcegos, em 12; outros animais, em 4; e macacos, em 2. Contatos com animais silvestres e de produção também aumentaram, passando de 11 registros no mesmo período de 2025 para 18 em 2026.
Série histórica em crescimento contínuo
Desde 2020, o HUM somou 1.140 atendimentos antirrábicos. Naquele ano foram 169 casos; em 2021, 145; em 2022, 147. A partir de 2023, os números voltaram a subir: 178 naquele ano, 220 em 2024 e 281 ao longo de todo o ano de 2025. Em 2026, até a primeira quinzena de junho, o hospital já havia registrado 15 novos atendimentos — ritmo superior a um caso por dia. A projeção do NVEH é de que o total anual supere 200 atendimentos.
O perfil predominante dos pacientes é de adultos jovens entre 20 e 29 anos, que respondem por 18,2% dos casos, e do sexo masculino, com 51% das ocorrências. As lesões se concentram nas mãos e nos pés, correspondendo a 39% dos registros. Quanto à origem, 86,2% dos atendidos são moradores de Maringá.
Raiva no Brasil e no Paraná
Dados globais indicam que o cão doméstico responde por cerca de 99% das transmissões do vírus da raiva para humanos. No Brasil, esse cenário mudou ao longo das últimas décadas: campanhas sistemáticas de vacinação de cães e gatos reduziram a circulação do vírus entre animais domésticos, e espécies silvestres — especialmente morcegos, seguidos por primatas não humanos como saguis, raposas e felinos — passaram a representar os principais reservatórios potenciais. Estimativas científicas apontam que menos de 1% dos morcegos estão infectados pelo vírus da raiva. Dados do Ministério da Saúde indicam aumento das transmissões envolvendo animais silvestres em ambientes urbanos a partir dos anos 2000, com redução simultânea dos casos ligados a animais domésticos.
O Paraná é classificado como área controlada para a transmissão da raiva por animais domésticos. O último caso de raiva humana de origem local confirmado no estado data de 1987. A doença, no entanto, exige vigilância permanente: com taxa de letalidade próxima de 100% após o surgimento dos primeiros sintomas — entre eles formigamento, febre e dificuldade para engolir —, a raiva é considerada problema contínuo de saúde pública. A transmissão pode ocorrer por mordedura, arranhadura, lambedura ou contato indireto com animal infectado. A raiva atinge o Sistema Nervoso Central e é uma das enfermidades mais antigas da história, com o primeiro caso registrado na China em 500 a.C.
Fluxo correto de atendimento
O HUM, embora atenda à demanda espontânea, não é designado como centro de referência em atendimento antirrábico. Pelo fluxo do Sistema Único de Saúde (SUS), esses casos devem ser encaminhados preferencialmente às Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA). O NVEH aponta como medidas preventivas a vacinação de cães e gatos, o manejo adequado dos animais e iniciativas de educação em saúde voltadas à convivência segura com a fauna doméstica e silvestre.