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Disputa pelo relator da PEC da jornada 6x1 divide o Senado Federal

Presidente do Senado resiste em indicar parlamentar do PT para conduzir proposta que altera escala de trabalho de milhões de brasileiros.

Disputa pelo relator da PEC da jornada 6x1 divide o Senado Federal
Foto: Ramaz Bluashvili / Pexels

O que está em jogo na relatoria da PEC

Uma disputa política discreta, mas de consequências relevantes para trabalhadores em todo o Brasil, toma forma nos bastidores do Senado Federal. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula para que a relatoria da Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC do fim da jornada 6x1 não seja entregue a um senador filiado ao Partido dos Trabalhadores. A movimentação expõe tensões internas na base governista e pode influenciar diretamente o ritmo e o conteúdo da tramitação da matéria.

A PEC em questão pretende alterar a Constituição Federal para pôr fim à chamada escala 6x1, regime pelo qual o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de trabalho para descansar apenas um. Esse modelo é comum em setores como o comércio varejista, a segurança privada e os serviços de saúde, afetando dezenas de milhões de trabalhadores em todo o território nacional. A proposta prevê a redução da carga semanal e uma distribuição mais equilibrada entre dias trabalhados e dias de descanso, o que representaria uma mudança estrutural nas relações de trabalho no país.

Poder de pauta e influência sobre o texto final

A escolha do relator em propostas dessa magnitude vai além de um mero procedimento regimental. Quem ocupa o posto tem poder para dar forma ao texto, propor substitutivos, ampliar ou restringir o alcance da medida e determinar o ritmo das audiências públicas. Em temas sensíveis ao mundo do trabalho e ao setor empresarial, a relatoria se transforma em um dos instrumentos mais eficazes de influência sobre o resultado final da votação. A resistência de Alcolumbre em conferir esse papel a um parlamentar do PT indica que a cúpula do Senado prefere manter o controle sobre a condução política da proposta, equilibrando pressões de diferentes flancos da Casa.

Contexto político e pressão da sociedade

A PEC ganhou força após uma intensa mobilização nas redes sociais, no segundo semestre de 2024, que reuniu trabalhadores de diversas categorias em torno da bandeira da redução da jornada. A pressão popular colocou o tema na agenda do Congresso Nacional e forçou partidos de diferentes espectros ideológicos a se posicionar publicamente. O PT, partido do presidente da República, defende avanços na área trabalhista e veria na relatoria uma oportunidade de protagonismo num debate que lhe é historicamente favorável. Por outro lado, siglas que representam interesses do empresariado temem que um relator alinhado ao governo impulsione um texto mais amplo e de difícil negociação com o setor produtivo.

O que muda para os trabalhadores depende do andamento

Enquanto a disputa interna no Senado se desenrola, trabalhadores que operam sob o regime 6x1 aguardam uma definição concreta sobre o futuro da proposta. A incerteza sobre a relatoria é um dos fatores que pode retardar a criação de uma comissão especial para analisar o mérito da PEC, etapa indispensável para que o texto avance. Sem esse passo, a proposta permanece sem prazo definido para ser votada, e qualquer mudança no regime de trabalho continua dependente de acordos políticos que ainda estão longe de ser concluídos. O desfecho da articulação de Alcolumbre deve dar sinais mais claros sobre a disposição real do Senado em pautar a matéria ao longo de 2025.

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