Ciência

Laboratório da UEM abriga colônia de 100 mil formigas há cinco anos

Além dos insetos, o espaço reúne 23 pesquisadores, plantas carnívoras, fósseis e um microscópio do século 19

Laboratório da UEM abriga colônia de 100 mil formigas há cinco anos
Foto: Rafael Minguet Delgado / Pexels

O Laboratório de História, Ciências e Ambiente (LHC), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em Maringá, mantém há cinco anos uma colônia de cerca de 100 mil formigas Quenquém dividindo o espaço físico com 23 pesquisadores. O laboratório funciona na sala 11 do bloco 4 — um dos prédios mais antigos do câmpus sede da universidade — e desenvolve pesquisas que vão da iniciação científica ao pós-doutorado.

Um dos principais objetivos do grupo é a divulgação científica por meio de vídeos e podcasts publicados em plataformas digitais, com o propósito de traduzir o conhecimento produzido na universidade em linguagem compreensível para o público em geral. O conteúdo está disponível no Instagram, no Facebook, no Spotify e no YouTube, sob o perfil @lhcuem.

Formigas como ferramenta didático-pedagógica

As formigas Quenquém presentes no LHC são capazes de transportar flores e folhas com até 50 vezes o próprio peso. No laboratório, a colônia cultiva um fungo utilizado como fonte de alimento — comportamento típico da espécie. A presença dos insetos no espaço foi concebida com função didático-pedagógica, inspirada em museus internacionais que mantinham espécies de formigas brasileiras em seus ambientes expositivos. A convivência entre a colônia e os pesquisadores completa cinco anos.

A colônia ocupa parte do ambiente compartilhado com livros, plantas e demais materiais de pesquisa. O laboratório está aberto para visitação de pequenos grupos, desde que haja agendamento prévio junto à coordenação.

Acervo histórico e científico

Além das formigas, o LHC guarda um acervo variado de itens científicos e históricos. Plantas carnívoras, fósseis, obras raras, imagens mitológicas e artefatos históricos fazem parte da coleção. Um microscópio do século 19 é um dos itens de maior valor histórico do espaço. O conjunto de materiais dá suporte às pesquisas desenvolvidas nas áreas de história das ciências, alimentação, ciências naturais e ciências da saúde.

Pesquisadores e linhas de investigação

O laboratório é coordenado por um docente formado em História pela própria UEM, que realizou doutorado na Fundação Oswaldo Cruz antes de retornar à instituição como professor. Suas pesquisas têm como eixo central a história das ciências, campo que permite transitar por diferentes áreas do conhecimento.

Uma das integrantes do grupo, aprovada recentemente no Mestrado em História da UEM, investiga a geração espontânea em pedras, plantas e insetos, na linha das ciências da natureza. Ela integra o LHC há dois anos e é responsável pela edição e publicação dos materiais de divulgação científica nas redes sociais do laboratório.

Ciência além dos muros acadêmicos

A produção de conteúdo voltado ao público externo é tratada como desafio permanente pelo grupo. A proposta do LHC é que o conhecimento gerado na universidade alcance a sociedade de forma acessível, por meio de linguagem adaptada a diferentes perfis de audiência. Os temas abordados nas publicações incluem história das ciências, alimentação, ciências naturais e saúde.

O laboratório foi tema do programa semanal Socializando o Conhecimento, da rádio UEM FM, com episódio disponível no Spotify. O espaço segue aberto para visitas de grupos reduzidos mediante agendamento antecipado.

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