Ciência

Pesquisador paranaense lidera projeto internacional sobre áreas verdes em 12 cidades da Polônia

Iniciativa aprovada por agência polonesa analisará distribuição de parques e arborização sob a ótica da justiça socioambiental entre 2026 e 2028

Pesquisador paranaense lidera projeto internacional sobre áreas verdes em 12 cidades da Polônia
Foto: Engin Akyurt / Pexels

Um professor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), vinculado ao Departamento de Engenharia Florestal e a dois programas de pós-graduação da instituição, terá um projeto de pesquisa internacional executado entre 2026 e 2028 em 12 cidades polonesas. A iniciativa foi aprovada pela agência polonesa NAWA, que financia intercâmbios e cooperações acadêmicas, e será desenvolvida em parceria com a Universidade de Agricultura de Cracóvia. O pesquisador responsável atua no Câmpus de Irati.

O estudo centra-se na análise das chamadas infraestruturas verdes urbanas (IVUs) — categoria que abrange praças, parques e bosques — e na forma como a distribuição desses espaços reflete condições de justiça socioambiental. A pesquisa adotará como referencial a chamada regra 3-30-300, criada pelo pesquisador holandês Cecil Konijnendijk. Essa diretriz estabelece três parâmetros mensuráveis: a visibilidade de ao menos três árvores a partir de qualquer janela residencial, a cobertura de copas de 30% ao longo dos deslocamentos cotidianos e a presença de uma área verde a no máximo 300 metros de cada habitante.

Metodologia e abrangência

As 12 cidades polonesas selecionadas estão distribuídas por quatro províncias — denominadas voivódias — geograficamente opostas entre si: Małopolska, Pomorskie, Dolnośląskie e Podlaskie. Em um primeiro nível de amostragem, serão analisadas as três cidades mais populosas de cada uma dessas províncias. Em um segundo nível, a metodologia inclui a construção de bancos de dados espaciais sobre as IVUs, estruturas urbanas e rios, além da delimitação de ilhas de calor urbano. O projeto empregará técnicas de aprendizado de máquina — ramo da inteligência artificial que permite ao sistema identificar padrões em grandes volumes de dados — para realizar análises em escala reduzida, além de avaliação técnica das áreas verdes por amostragem e análise tridimensional de vegetação e edificações. Análises estatísticas multivariadas e geoestatísticas permitirão comparações entre bairros e entre cidades distintas.

Um dos objetivos centrais do projeto é padronizar a aplicação dos parâmetros da regra 3-30-300, de modo que os resultados possam servir de base para políticas públicas voltadas à qualificação dos espaços verdes em ambientes urbanos. O conceito de justiça socioambiental que norteia a pesquisa parte do princípio de que qualquer pessoa deve ter acesso igualitário aos benefícios proporcionados por árvores, florestas e ecossistemas urbanos, independentemente do bairro, da renda, do gênero, da etnia, da escolaridade ou da faixa etária. A premissa também considera que problemas como enchentes, ilhas de calor e diferentes formas de poluição não devem estar concentrados em áreas habitadas por grupos socialmente mais vulneráveis.

Iniciativas no Brasil

Em paralelo ao projeto polonês, o mesmo pesquisador conduz iniciativas semelhantes em território brasileiro, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Araucária. Nos dois contextos, a proposta é que dados científicos sobre a presença e a qualidade de áreas verdes subsidiem decisões de gestão urbana com foco na redução de desigualdades ambientais. O projeto polonês tem como resultado esperado a produção de orientações técnicas sobre o uso padronizado de cada parâmetro da regra 3-30-300, aplicáveis ao planejamento de cidades em diferentes países.

infraestrutura verde urbanaUnicentroPolôniajustiça socioambientalarborização urbanaregra 3-30-300